18 de setembro de 2009

Despenteia-te


Hoje aprendi que temos de permitir que a vida nos despenteie.
Por isso decidi gozar a vida com maior intensidade.
O mundo está doido. Definitivamente doido: o bom, engorda. O bonito sai caro. O sol que ilumita o teu rosto faz rugas. E o realmente bom desta vida, despenteia.
- Fazer amor, despenteia.
- Rir as gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, mergulhar no mar, despenteia.
- Beijar a pessoa que amas, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficares sem ar, despenteia.
- Dançar até teres duvidas se foi boa ideia por saltos essa noite, deixa o cabelo irreconhecivel.

Assim, como sempre cada vez que me virem, eu vou estar despenteada. No entanto não tenham duvidas de que estarei a passar pelo melhor momento da minha vida.
É lei de vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que escolha ir no primeiro carrinho da montanha russa do que aquela que escolha não subir.
Pode ser que me sinta tentada de ser uma mulher impecavel, penteada e com a roupa perfeitamente esticadinha por dentro e por fora.
O anúncio classificado deste mundo exige boa presença: penteia-te, poe-te, tira-te, compra-te, corre, emagrece, come saudável, anda direitinha, poe-te seria... Talvez deveria seguir as instrucções mas, quando me vão dar a ordem de ser feliz? Acaso não dão conta que para me ver bonita, tenho de me sentir bonita... A pessoa mais linda que possa ser!!!

O único que realmente importa é que ao olhar-me no espelho, veja a mulher que realmente quero ser.

Por isso a minha recomendação a todas as mulheres: entrega-te, come bem, beija, abraça, dança, apaixona-te, relaxa, viaja, salta, deita-te tarde, acorda cedo, corre, dança, voa, canta, poe-te bonita, poe-te comoda, admira a paisagem, goza e sobretudo: deixa que a vida te despenteie!!!

O pior que te pode acontecer é que, sorrindo frente ao espelho, tenhas de voltar a pentear-te!

9 de setembro de 2009

As pessoas não mudam....


Há muito tempo que dei conta que não podes tentar mudar as coisas. Quando as forças, morrem.
Cada alma tem o seu guião. Há espiritus livres, independentes, seguros, arriscados, lutadores, conformistas, encadeados, brancos, pretos, multicolores, apaixonados, melancolicos, milimetrados, racionais, calculadores, alegres, controladores, improvisadores, euforicos, medrosos, inconformistas, dependentes, tristes, imbecis, irracionais... Um espiritu, uma alma para cada pessoa, para cada personalidade.

Durante toda a tua vida, achas ser de uma maneira. Consideras-te livre, independente, segura por momentos, lançada, inconformista, lutadora, improvisadora, arriscada, apaixonada... Durante toda a tua vida, das tudo, tudo, por aquilo com que sonhas...

E de repente, um dia...pum! Achas que te levantas-te com outra alma. A vida dá uma das suas voltas de 180º, dessas em que gera o caos, das que te desconcerta, não sabes nem onde estás, nem para que, nem porque é que actuas assim. Em verdade, sim sabes, só que não es consciente, melhor dito, não o queres ser. Continuas a ser livre, mas voas mais devagar para que alcancem a tua velocidade, continuas a ser independente só que o preferes sem o in-; as tuas seguranças são mais seguras se te sentes acompañada, lanças-te mas olhando para trás para ver se te seguem; continuas as ser inconformista mas não contigo se não por quem voas mais devagar; lutas, por alguém; improvisas planos, para dois; arriscas, por mante-lo; e as tuas doses de paixão duplicam-se...

E não te perguntas onde foi a tua alma, porque gostas no que se transformou.

Mas de repente, depois de centos y centos de dias, quando vais notando gretas na tua capa exterior y picadas na parte esquerda do teu interior, a vida volta a surpreender-te e parece voltar a girar de novo...

E finaliza assim, incompleto, porque a vida nunca acaba de se completar, e continua sempre a dar voltas, e a dar giros, de 180º ou as vezes de 360º...

8 de agosto de 2009

Pedras no caminho...


Há uma pedra no caminho, com a que comecei a tropeçar a alguns anos, não sei bem como explicar, mas é como se tivesse uma força magnetica que me impulsa a bater com ela, em todo este tempo já me desfez vários pares de sapatos, já torci varias vezes o tornozelo, um dia caí e quase parto a cabeça, mas nada, acho que já lhe tomei carinho, de certeza que tenho o Síndrome de Estocolmo porque até a vejo especial, ai no meio do caminho a empecilhar-me e incomodar-me, mas não saberia ver o caminho sem ela.

Por isso tomei uma decisão, vou dar um giro de 180º e deixar a pedra no meio do caminho que até agora foi o meu e tomar o caminho da esquerda, que também tem bastantes pedras, mas as quais talvez aprenda a esquivar sem deixar os sapatos, tornozelos e a cabeça.

Maldito síndrome de estocolmo que já tou a ter saudades da pedra, mas vou ser forte e não vou voltar a vista atrás, que parece que ai á frente se avizinha um algo melhor que eu não quero perder...

Alice in Wonderland

Já tá aqui já chegou!!! E como todas as coisas importantes vai ser num dia 5!!!!! Só não sei porque me fazem sofrer tanto, tanto tempo!!!
Estou mortinha por voltar a sucumbir aos mundos de Burton, yuuuuiiiipiiiii, e nada mais e nada menos que com a história mais louca alguma vez contada. Ninguem melhor que ele para levar um mundo imaginario e disparatado ao ecrã.

Cá fico a espera...


New!!

Bem voltei a mudar visual...Já que não mudo o meu cabelo (por agora) dedico-me a mudar a apariência do berlogue. Agora acho que já me convence mais...Não sei se por muito tempo, isso são coisas que só as forças divinas sabem lol.
Vou tentar entrar mais, colocar mais coisinhas, mesmo que seja realmente complicado com a vida que tenho agora...Mas vou tentar!

kisses for all

28 de julho de 2009

Testezinho interesante...











Este foi o meu resultado, é um bocado comprido mas é engraçado.

Para quem estiver curioso é so ir ao link.

kisses for all

8 de julho de 2009

Portugal....

Não resisti, encontrei isto enquanto andava as voltas pela net...Não tem preço!!!!

""Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!""


Miguel Sousa Tavares ; 8:00 Segunda-feira, 29 de Jun de 2009 in Expresso